terça-feira, 19 de setembro de 2017

EXTRUSÃO

DEFINIÇÕES DE EXTRUSÃO


A extrusão é simplesmente a operação de moldar um material plástico ou de massa, forçando-o a expandir ou aglomerar. Em rações formam pellets usados ​​para preparar alimentos para animais. "A extrusão de alimentos é um processo em que um material alimentício é forçado a fluir, sob uma ou mais variações de condições de mistura, aquecimento e cisalhamento, que por sua vez da forma e/ou seca os ingredientes".
Uma extrusora de alimentos é um dispositivo que agiliza o processo de modelagem e reestruturação de ingredientes alimentícios. A extrusão é uma operação de unidade altamente versátil que pode ser aplicada a vários processos alimentícios. As extrusoras podem ser usadas para cozinhar, formar, misturar texturizar e moldar produtos alimentares sob condições que favorecem a retenção de qualidade, alta produtividade e baixo custo.
O uso de  extrusão vem se expandindo rapidamente nas indústrias de alimentos durante os últimos anos.

FUNÇÕES DA EXTRUSORA
As condições geradas pela extrusora permitem o desempenho de muitas funções que permitem a sua utilização para uma ampla gama de alimentos, e aplicações industriais. Algumas dessas funções são as seguintes:
Aglomeração: os ingredientes podem ser compactados e aglomerados em peças discretas com uma extrusora.
Desgaseificação: Ingredientes que contêm bolsas de gás podem ser desgaseificados por processamento extrusado.
Desidratação: durante o processamento normal de extrusão, pode ocorrer uma perda de umidade de 4-5%.
Expansão: a densidade do produto (isto é, flutuante e afundamento) pode ser controlada por condições de operação da extrusora e configuração.
Gelatinização: o cozimento por extrusão melhora a gelatinização do amido.
Moagem: os ingredientes podem ser triturados no canhão da extrusora durante o processamento.
Homogeneização: uma extrusora pode homogeneizar, reestruturando ingredientes não atraentes em formas mais aceitáveis.
Mistura: Existe uma variedade de  helicóide / rosca que podem causar a quantidade desejada de ação de mistura no cilindro da extrusora.
Pasteurização e esterilização: os ingredientes podem ser pasteurizados ou esterilizados usando tecnologia de extrusão para diferentes aplicações.
Desnaturação de proteína: a proteína de  produtos oriundos de abatedouros  pode ser desnaturada por extrusão.
Formação: uma extrusora pode fazer qualquer forma de produto desejada, alterando uma matriz no final do canhão da extrusora.
Cisalha: uma configuração especial dentro do canhão da extrusora pode criar a ação de corte desejada para um produto específico.
Alteração da textura: as texturas físicas e químicas podem ser alteradas no sistema de extrusão.
Cozedura térmica: o efeito de cozimento densificado pode ser conseguido na extrusora.
Unitização: diferentes linhas de ingredientes podem ser combinadas em um único produto para produzir características especiais usando uma extrusora.

VANTAGENS DA EXTRUSÃO
As principais vantagens da tecnologia de extrusão em comparação com os métodos tradicionais de processamento de alimentos finais alimentares baseados em Smith (1969) e Smith (1971) com modificações incluem o seguinte:
Adaptabilidade: A produção de uma ampla variedade de produtos é viável, alterando os ingredientes menores e as condições de operação da extrusora. O processo de extrusão é notavelmente adaptável para acomodar a demanda dos consumidores para novos produtos.
Características dos produtos: Uma variedade de formas, texturas, cores e aparências podem ser produzidas, o que não é facilmente viável usando outros métodos de produção.
Eficiência energética: As extrusoras operam com uma boa quantidade de produtos alimentares de baixa qualidade, portanto, é necessária uma menor re-secagem.
Baixo custo: a extrusão tem um menor custo de processamento do que outros processos de cozimento e formação. A economia de matéria-prima (19%), mão-de-obra (14%) e investimento de capital (44%) ao usar o processo de extrusão foram relatados por Darrington (1987). O processamento de extrusão também requer menos espaço por unidade de operação do que os sistemas tradicionais de cozimento.
Novos alimentos: a extrusão pode modificar proteínas animais, vegetais, amidos e outros materiais alimentares para produzir uma variedade de lanches novos e exclusivos.
Produção alta e controle automatizado: uma extrusora fornece processamento contínuo e pode ser totalmente automatizada.
Alta qualidade do produto: uma vez que a extrusão é um processo de aquecimento de alta temperatura / curto prazo (HT / ST), minimiza a degradação dos nutrientes alimentares, enquanto melhora a digestibilidade das proteínas (por desnaturação) e amidos (por gelatinização). O cozimento por extrusão a altas temperaturas também destrói compostos antinutricionais indesejáveis e microorganismos.
Nenhum efluente: esta é uma vantagem muito importante para as indústrias de alimentos e alimentos, uma vez que as novas regulamentações ambientais são rigorosas e dispendiosas. A extrusão produz pouca ou nenhuma corrente de resíduos.
Ampliação do processo: os dados obtidos da planta piloto podem ser usados ​​para ampliar o sistema de extrusão para produção.
Uso como reator contínuo: extrusoras estão sendo usadas como reatores contínuos em vários países para a desativação de aflatoxina em amendoim e destruição de alérgenos e compostos tóxicos em farinha de sementes de mamona e outras culturas oleaginosas.



sábado, 3 de janeiro de 2015

Conflito ou Problema ?

Sendo o fenômeno do conflito um fenômeno incontornável torna-se necessário a sua gestão e compreensão de modo a que as que as suas vantagens sejam aproveitados e os seus efeitos nefastos sejam diminuídos ou anulados.

A definição de Conflito é plural apresentando escasso consenso. Uma das definições mais sóbria pode ser “processo que se inicia quando um indivíduo ou um grupo se sente negativamente afetado por outra pessoa ou grupo” (De Dreu; 1997, p. 9) ou outra mais enfática como “Divergência de perspectivas, percebida como geradora de tensão por pelo menos uma das partes envolvidas numa determinada interação e que pode ou não
traduzir-se numa incompatibilidade de objetivos” (De Dreu & Weingart; 2002; Dimas, Lourenzo e & Miguez, 2005). 

Convém esclarecer que Conflito é diferente de problema. Num Conflito existem partes em confronto e desenvolve-se uma atitude de hostilidade, enquanto num problema há um grupo de pessoas que trabalham em conjunto, desenvolvendo-se uma atitude de aproximação (Almeida, 1995). 

Há quem feche os olhos e negue o conflito. Há quem dê voltas e voltas patinando em  busca de alternativas para resolvê-lo. Há quem se renda e tenha o costume e sempre abrir mão de tudo para evitar problemas. Outros preferem se impor pelo poder, agindo como verdadeiros “tratores”, enquanto há aqueles que propõem sempre um compromisso em que cada um ceda um pouco para chegar a um acordo.
Segundo a coach Mariella Gallo, ao longo da carreira, invariavelmente, você vai topar com algum dos perfis acima ao perceber-se em meio a um conflito. “Todos estes perfis estão presentes nas empresas”, diz ela. No entanto, nenhum deles é o mais adequado na hora de evitar ou de resolver um imbróglio durante o expediente.
Negar, fugir, dar voltas ou atacar só vai piorar o problema, porque, como defende o coach e consultor Karin Khoury no livro “Vire a página, estratégias para resolver conflitos” (Editora Senac) o primeiro passo é perceber como a sua participação contribui para o surgimento ou prolongamento do conflito (exame.com).

Enfrente um conflito lançando mão da abordagem mais adequada para o momento. Não ignore a situação, nem contemporize imaginando que o tempo curará o desentendimento. Com o passar do tempo, quase sempre, apenas tende-se a agravar a discórdia. 
Todo problema ou conflito possui uma causa. Se essa for buscada, será encontrado também o culpado, mas fazendo apenas isso, desvia-se preciosa energia e tempo em vez de concentrar-se na solução que, a rigor, é a única saída para o desentendimento. Focalize sua atenção nos ganhos da solução e esqueça a sessão de acusações mútuas. Concentre-se no problema ou no comportamento das pessoas, e não na personalidade delas.
Ouça amistosamente os argumentos da outra parte envolvida no conflito e, então, experimente persuadi-la com uma argumentação sequenciada e lógica.
Admitir um erro não o diminuirá ou o tornará vulnerável. Ao contrário, com isso, você adquirirá o respeito dos outros. Pois essa é uma forma de demonstrar que a sua intenção não é provar que você é perfeito ou infalível, mas sim buscar a melhor solução, mesmo que para isso tenha que admitir que falhou (Ernesto Berg).



sábado, 7 de setembro de 2013

BASES VOLÁTEIS TOTAIS - PESCADOS E PRODUTOS DE PESCADOS

Há indicação de que a manipulação pode influenciar a qualidade, ressaltando a importância de se adotar e se difundir as Boas Práticas de Manipulação – BPF e de métodos adequados de avaliação, controle e de conservação durante a estocagem, visando minimizar as alterações oriundas da deterioração de pescado.

Um conjunto de análises importantes e práticas detectam alterações provenientes de tais deteriorações de pescado e derivados, podendo assim avaliar a qualidade e o grau de conservação destes.

Determinações e avaliação conjunta de características organolépticas, microbiológicas, rancidez, reações para gás sulfídrico, potencial hidrogeniônico, indol (obtido na decomposição de carnes de camarão, caranguejo, siri, ostras e deve, portanto, ser pesquisados principalmente nestes produtos.), proteínas por cromatografia,  bases voláteis totais e outras permitem precisar o estado físico-químico destes.

A deterioração e estado de putrefação é devida à ação enzimática e bacteriana e resulta em vários compostos nitrogenados, com maior frequência a trimetilamina, dimetilamina, amônia e ácidos voláteis.

A porcentagem de bases voláteis é uma indicação do grau de conservação. 

A metodologia indicada na referência "Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz", vol. 1. Métodos Físicos e Químicos para Análise de Alimentos, capítulo 19, página 275; traz uma metodologia simples de ser aplicada e importante para avaliação:

MATERIAL E EQUIPAMENTOS:
  • Vidro de Relógio
  • Balão de Kjeldahl de 800 ml
  • Proveta de 300 ml
  • Refrigerante de Liebig
  • Frasco de erlenmeyer de 500 ml
  • Duas buretas de 15 ml
  • Bandeja para homogeinização
  • Espátula de inox
  • Pisseta
  • Destilador de Kjeldahl
  • Purificador de água ( destilador / deionizador e/ou Osmose Reversa)
  • Moinho refrigerado
  • Balança analítica
  • Relógio 
REAGENTES:
  • Ácido Sulfúrico 0,1 N  ( f = 1,0000)
  • Hidróxido de Sódio 0,1 N (f = 1,0000)
  • Óxido de Magnésio
  • Silicona antiespumante
  • Solução de vermelho de metila a 0,2%, em álcool etílico P.A.
  • Água destilada / deionizada ou purificada por osmose reversa
PROCEDIMENTO:
  • Colete a amostra de acordo com as normas de representabilidade do lote
  • Em avaliações específicas, colete amostras "spot" conseguindo assim a verificação  de vários pontos sem diluição de amostras conformes com pontos não conforme
  • Homogeinize 
  • Moer a amostra em moinho 
  • Homogeinize novamente
  • Pese em balança analítica de 5 a 10 g da amostra
  • Transfira para um balão de kjeldahl, junte 300 ml de água destilada / deionizada ou através de osmose reversa, 1 a 2 g de óxido de magnésio e algumas gotas de silicona antiespumante.
  • Ligue o balão ao conjunto de destilação
  • Aqueça até a ebulição e destile por 25 minutos
  • Mergulhe a extremidade afilada do refrigerante em 15 ml de ácido sulfúrico 0,1 N, contido no frasco de erlenmeyer de 500 ml
  • Adicione 3 gotas do indicador vermelho de metila 
  • Titule o excesso de ácido sulfúrico 0,1 N com solução de hidróxido de sódio 0,1 N

CÁLCULO:

BVT = ( V x 0,0014 x 100) / P

onde:

BVT = Bases Voláteis Totais em g de nitrogênio por cento p/p

V= Diferença entre o nº de ml de Ácido Sulfúrico 0,1 N adicionado e o nº de ml de solução de Hidróxido de Sódio 0,1 N gasto na titulação

P = nº de gramas da amostra.


RESULTADO DE BVT

O resultado deverá ser expresso em mg


AVALIAÇÃO:


  • O limite estabelecido pela  legislação nacional vigente para N-BVT é de 30 mg N/100g de pescado (BRASIL, 1980).
  • Esta metodologia pode ser adaptada para farinhas de pescado e o limite para Controle de Qualidade  deve ser estabelecido através de resultados de várias amostras padrões em conjunto com as determinações de outros parâmetros. É importante saber se neste produto foi adicionado algum ingrediente para conservação que pode alterar significativamente o resultado desta análise.


OBSERVAÇÃO FINAL:



Muitas vezes, contudo, a qualidade é sinônima de aparência e frescor, e se refere ao grau de deterioração existente no pescado e derivados. Para as autoridades governamentais, que estão principalmente interessadas em possíveis perigos para a saúde, boa qualidade significa ausência de agentes nocivos tais como parasitas, compostos químicos e organismos patogênicos (HUSS, 1988).
Para Contreras-Guzmán (1988), qualidade como um todo envolve a soma dos atributos físicos, sensoriais, químicos e microbiológicos dos alimentos e no pescado a qualidade está estreitamente ligada com o estado de frescor.
A qualificação do frescor envolve considerações relacionadas com o tempo e qualidade. A esta última contribuem muitos fatores, sendo, portanto, difícil encontrar um só ensaio que determine estes aspectos (MORGA, 1975).


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mas, afinal, o que é qualidade?

Nunca se falou tanto em qualidade como nesta última década. Em reuniões de dirigentes, em seminários de treinamento, em pesquisas de mercado, nos meios acadêmicos, o tema qualidade tem sido extensa e intensamente explorado. Fala-se muito em qualidade.

Mas, afinal, o que é qualidade?


A palavra qualidade tem vários significados, dependendo de como é utilizada. Para um engenheiro, qualidade significa aderência perfeita e conformidade às especificações e padrões de referência do projeto do produto. Zero defeito é o nome atribuído quando essas especificações e padrões são plenamente atendidos. Para um estatístico, qualidade significa o menor desvio padrão possível em relação à média aritmética, mediana ou qualquer medida estatística de posição. Variância zero é o nome atribuído quando isso ocorre. Mas, para uma dona de casa, a qualidade tem um outro significado completamente diferente. Como cliente ou consumidora, a dona de casa não está preocupada com os conceitos do engenheiro ou do estatístico: ela quer um produto ou serviço que satisfaça as suas necessidades pessoais, algo que resolva seus problemas. O engenheiro e o estatístico formulam conceitos de qualidade que podem ser utilizados internamente dentro das organizações para a produção dos produtos ou serviços. Mas, de nada adianta a qualidade interna se o cliente ou consumidor não está satisfeito com o produto ou serviço que utiliza. Assim, existem dois tipos de conceitos de qualidade: a qualidade interna, que constitui a maneira pela qual uma organização administra a qualidade dos seus processos, produtos e serviços, e a qualidade externa, que constitui a percepção que o cliente, consumidor ou usuário tem a respeito do produto ou serviço que compra e utiliza. Não resta dúvida de que, sem a qualidade interna, não se pode construir e manter a imagem da qualidade externa.

sábado, 30 de março de 2013

Quatro erros que você pode cometer em uma negociação de trabalho


Durante uma negociação de trabalho alguns erros podem atrapalhar. Veja como lidar com essa situação e ser bem-sucedido
Negociações de trabalho podem influenciar na sua renda, estilo de vida e até mesmo em seus relacionamentos. Por isso, antes de negociar qualquer aspecto em seu ambiente de trabalho, você precisa estar ciente de que precisa de estratégias e informações para conseguir o que deseja. Porém, se você não se preparar para este momento, alguns deslizes podem acabar com as suas chances de sucesso.
Se você deseja ter uma negociação bem-sucedida, confira alguns erros que podem comprometer a sua negociação:

1) Não se preparar para a negociação
Antes de iniciar qualquer negociação no seu ambiente de trabalho, certifique-se de que você está preparado para essa situação. É importante conhecer suas necessidades e suas alternativas de negociação para que você não seja contestado.

2) Não falar sobre números e dados
Durante uma negociação é importante que você tenha em mãos número e dados, como uma forma de garantia. Informações impressas sempre servem de provas para argumentar a seu favor. Se você não tiver nada que comprove as suas necessidades, não há como negociar.

3) Não explicar o que você deseja
Se você pretende negociar alguma coisa, o primeiro passo é explicar claramente o que você deseja. Dessa forma, ambas as partes vão se preparar para argumentar e debater o assunto. Sem explicação será quase impossível chegar a um acordo.

 4) Mentir
Para negociar bem você precisa ser sincero. Mentiras só vão atrasar o processo de negociação. Para não cometer erros, seja franco e não perca tempo com conversas triviais. Vá direto ao ponto de discussão.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Como Fugir das Estratégias de Manipulação no Trabalho


 Quase que por definição, a vida corporativa (independente do setor e cargo) é tecida por negociações. E isso sempre implica em ceder algumas vezes, ganhar em outras. Quando elas são feitas com base em argumentos, você cresce na carreira.
O problema está quando a emoção, as informações evasivas ou falsas entram em cena. Consciente ou inconscientemente, você assume o papel de vítima ou criador de uma manipulação.
“Argumentar é uma arte difícil, não seduz todo mundo”, afirma Marie-Josette Brauer. Lançar mão de estratégias que impulsionem o outro a fazer o que você quer tende a ser mais fácil. Porém, quase nunca é a opção mais ética. 
Aprenda quais são as estratégias de manipulação mais comuns e qual o comportamento para se esquivar de cada uma delas: 
Estratégia de manipulação 
1- Favores em cascata
Uma das estratégias mais comuns de manipulação, segundo Marie-Josette, é pedir um favor mais simples e, assim que ele for cumprido, pedir outro. É mais ou menos assim: “A pessoa pede para o outro digitar um relatório. Dali, meia hora a atividade está pronta e, diante disso, é feito outro pedido”, exemplifica. Sem ter muito como contra argumentar, a “vítima” acaba aceitando o novo pedido. 
2- O impossível que induz ao sim
Colocar o outro em uma clássica “sinuca de bico” é outra estratégia clássica usada no ambiente corporativo. 
O chefe chega e sugere uma missão impossível (como trabalhar no fim de semana para colocar tudo em dia). Você responde que não pode. Em resposta, ele pede o que realmente queria: o prolongamento do expediente atual. Sem ter como responder um outro não, você aceita – sem maiores ressalvas.
“A pessoa pede uma coisa impossível para então pedir pelo que realmente quer. Desse jeito, não há como você recusar”, descreve a especialista. 
3- Perguntas que impelem para um sim automático 
A armadilha psicológica é até simples: o manipulador faz um tiroteio de perguntas que necessariamente pressupõem um sim para, depois, pedir um favor. O resultado é certeiro: “É muito difícil depois de responder vários ‘sim’ dizer um ‘não’”, afirma a especialista.
4- Colocar medo para depois trazer o “alívio”
Uma das metáforas mais clássicas para manipuladores é a imagem de um lobo em pele de cordeiro. E a figura não é gratuita. Para ter o que quer, manipuladores tendem a cercar suas vítimas de medos para, então, oferecer uma proposta que ofereça ‘alívio’ e proteção contra o terror – que eles mesmos instalaram. 
Ao longo da história, diversos governos totalitários se valeram desta tática para dominar populações inteiras. Da mesma forma que industrias, todos os dias, nos bombardeiam com informações ditas científicas para vender este ou aquele produto.
No mundo corporativo, a estratégia também é comum – apesar de mais sutil. Imagine a seguinte cena: você chega sempre atrasado ao trabalho. Seu chefe direto há muito tempo está incomodado com este hábito, mas não quer se indispor com você. Então, inventa que o chefe do chefe dele reclamou dos seus horários e que você deveria ficar esperto. Com medo de ser demitido, queimar sua reputação ou outros desvarios corporativos, você entra no papo dele e nunca mais perde hora.
Como escapar
“A manipulação acontece quando existem agendas ocultas. Quando um lado tem um interesse que não está explicito, nem exposto”, afirma o coach Homero Reis. Por isso, a principal estratégia para driblar uma estratégia de manipulação é confrontar o manipulador com perguntas que exijam clareza de intenções e argumentos.
Afinal, uma das bases da manipulação é a falta de objetividade. “A pessoa diz que fala, mas não fala. Diz e desdiz”, descreve Reis. Diante de um discurso manco e emocional assim, o antidoto mais eficaz é manter-se firme e claro – em seus interesses e questionamentos. Não fique em cima do muro, nem se deixe levar. “A manipulação nunca se sustenta diante da assertividade e de uma conversa clara”, afirma o especialista. 

Fonte: Exame.com

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

RDC 59, AFE E PORTARIA 139 DE 21 DE MARÇO DE 2011 – ARLA 32, CONTEMPLANDO PROCEDIMENTOS DA NORMA ABNT NBR ISO 22241-3 E ISO 9001:2008


O QUE É A RDC 59 DA ANVISA? 

A Resolução RDC 59 de 27 de junho 2000 (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) é um conjunto de requisitos exigidos pela ANVISA para que os fabricantes e distribuidores de produtos médicos e odontológicos adotem em suas empresas. Em outras palavras, é um Sistema de Gestão da Qualidade.
A RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) é uma cópia do requisitos exigidos pelo FDA nos Estados Unidos, onde lá é chamada de Good Manufacturing Practices .
A RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) foi publicada em três módulos:
- Introdução  (abrangência e definições)
- Requisitos, que são as obrigações (exigências) que as empresas devem adotar.
- Lista de Perguntas (Check List) para ser utilizado pelos Inspetores da ANVISA e pelos     auditores internos da empresa em suas auditorias e na Auto-Inspeção feita pela empresa.
O título original da RDC 59 da ANVISA é "Boas Práticas de Fabricação de Produtos Médicos", mas pela falta de uma resolução específica para distribuidores, a ANVISA emite certificados com o título de Boas Práticas de Distribuição de Produtos Médicos. Sendo assim, a RDC 59 da ANVISA é aplicada tanto nos Fabricantes quanto nos Distribuidores. Na prática, alguns requisitos não são exigidos para os Distribuidores.
Nota: na Lista de Perguntas (Check List) não existe um bloco de perguntas voltado para as Distribuidoras, existe somente para os Fabricantes e para Importadoras. No caso dos Distribuidores, fica a critério de cada inspetor decidir quais perguntas serão consideradas aplicadas.
A grande dificuldade de implantar a RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) é a mesma dificuldade de implantar outros sistemas da qualidade, tal como a ISO 9001, ou seja, a dificuldade está na elaboração dos Procedimentos (muitas vezes chamados de POPs) e nos Registros (que são os formulários). A resolução RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição), assim como todas as Normas de Sistemas da Qualidade diz apenas o que deve ser feito e não como fazer, e é exatamente "como fazer" que é um Procedimento.
A RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) tem um agravante durante as inspeções da ANVISA, que é a falta de padronização e preparo dos inspetores. Digo inspetores porque eles mesmos assim o definem.  Por melhor que esteja  o Sistema da Qualidade implantado, ou seja, por melhor que estejam os procedimentos e registros, alguns inspetores vão fazer a velha pergunta utilizada no século passado pelos auditores: "Onde está escrito isto que você disse", fazendo assim, uma volta ao passado na forma de elaborar procedimentos.
A RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição) requer ajuda na implantação por profissionais qualificados (consultores), ou seja, experientes e com habilidades para transmitir conhecimento.
Outro fator importante na implantação da RDC 59 da ANVISA (Boas Práticas de Fabricação / Distribuição)é a equipe de colaboradores da empresa que será responsável pela utilização e adequação dos Procedimentos e Registros. Se a equipe é formada por profissionais de competência limitada, o tempo de implementação será maior e o resultado na inspeção será pior, pois, muitas vezes os colaboradores não sabem dar uma resposta ao inspetor porque esqueceu em qual Procedimento está documentado o assunto relacionado com a pergunta e em outros casos, o colaborador acha que não está documentado, mas estava.

IMPLANTAÇÃO DE RDC 59:

Os regulamentos técnicos são estabelecidos pelos governos através de um agente específico, visando garantir a segurança e a saúde dos usuários de produtos para uso médico. A adaptação dos equipamentos e de seus fabricantes aos regulamentos técnicos estimula melhorias qualitativas nos produtos e processos de fabricação.
No Brasil os fabricantes e distribuidores de equipamentos biomédicos seguem um regulamento a Resolução RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) Nº. 59 de 27 de junho de 2000.
A proposta é efetuar um framework processual através de process approach (Cambridge approach) que permita a implantação da RDC Nº. 59 de maneira que regulamente a indústria de saúde perante o órgão fiscalizador (ANVISA).
O método é desenvolvido utilizando-se a abordagem por processos e de folhas de tarefa, constituindo-se num procedimento, onde a partir de um conjunto de ações operacionais com seus respectivos indicadores, auxilie numa seqüência de atividades que sejam planejadas e organizadas para atender todas as exigências da norma. O método deve se mostrar factível, usável e útil. Dentro deste contexto convergiu-se em um modelo detalhando todas as etapas da implantação, proposta que atende os requisitos da norma RDC Nº. 59, mostrando que a metodologia é factível.
Ao mesmo tempo em que visa proteger a integridade física dos usuários, a exigência de certificação pode criar um ciclo virtuoso entre os sistemas regulador e produtivo. A adaptação dos equipamentos e de seus fabricantes aos regulamentos técnicos estimula melhorias qualitativas nos produtos e processos de fabricação. Sendo assim este setor passou a observar mais cuidadosamente a importância de se atender às exigências da legislação.
No Brasil os equipamentos biomédicos seguem um regulamento que conforme sua classificação quanto ao potencial de risco à saúde de seus usuários (pacientes e/ou operadores), necessitam de registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para que os fabricantes os lancem no mercado consumidor.  Além disto, sua indústria deve estar inserida dentro das boas práticas de fabricação obedecendo aos critérios estabelecidos pela ANVISA através da Resolução RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) Nº. 59 de 27 de junho de 2000 (o título original da RDC Nº 59/2000 é "Boas Práticas de Fabricação de Produtos Médico – BPF”). A Resolução RDC Nº 59/2000 de 27 de junho 2000 é um conjunto de requisitos exigidos pela ANVISA para que os fabricantes e distribuidores de produtos médicos e odontológicos adotem em suas empresas. Em outras palavras, é um Sistema de Gestão da Qualidade.
Esse interesse decorre inicialmente pela a garantia da qualidade do produto e, finalmente, a segurança, o bem-estar e proteção do usuário. Em segundo lugar pela compreensão das condições que proporcionam vantagens competitivas às empresas que cumprem os requisitos estabelecidos pelas "Boas Práticas de Fabricação de Produtos Médicos" como redução da incidência de reclamações dos consumidores, ambiente de trabalho melhor, mais agradável, limpo e seguro.
A grande dificuldade de implantar a RDC Nº 59/2000 é a mesma dificuldade de implantar outros sistemas da qualidade, tal como a ISO 9001, ou seja, a dificuldade está na elaboração dos Procedimentos e nos Registros. A resolução RDC Nº 59/2000 da ANVISA, assim como todas as Normas de Sistemas da Qualidade diz apenas o que deve ser feito e não como fazer.
Outro fator importante na implantação da norma é o planejamento e o comprometimento da alta direção e da equipe de colaboradores da empresa que será responsável pela utilização e adequação dos Procedimentos e Registros.
O cumprimento da RDC nº 59/2000 tem sido encarado, na maioria das vezes, como um mal necessário ou mais uma mera exigência cartorial, o que se traduz em uma visão míope e de pouco futuro. Em outras palavras, uma vez que a mesma é compulsória, não conseguem estender e fazer da RDC um pilar para o desenvolvimento de um Sistema de Gestão Empresarial, ganhando com isto uma visão sistêmica de todo o negócio e de toda a cadeia de relações de autoridades, responsabilidades, objetivos estratégicos, resultados esperados e alcançados na qual está inserido. A integração do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) com os objetivos estratégicos do negócio é um desafio para muitas empresas. Muitas companhias freqüentemente vêem o sistema da qualidade como responsabilidade única e exclusiva do departamento da qualidade. 

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A primeira regra da liderança: Tudo é culpa sua!


No clássico filme para crianças da Pixar, A Bug´s Life (Vida de Inseto), Hopper, o líder dos gafanhotos invade o formigueiro para demandar a comida que as formigas deveriam ter separado para ele e seu bando. Pouco antes da chegada dos gafanhotos a comida que era para eles estava perfeitamente separada em um local seguro, porém Flik, uma formiga-macho desajeitada causou um acidente no local e todos os grãos que haviam sido separados para os gafanhotos foram perdidos.
Hopper se dirigiu à nova líder das formigas, a princesa Atta, exigindo uma explicação. A princesa, confusa e com medo, começou a explicar que a culpa não era dela e que a comida estava lá, mas o Flik... Hopper a interrompeu bruscamente e furioso disse: “Princesa Atta, aprenda a primeira regra da liderança: Tudo é culpa sua!”.
O personagem Hopper definiu de maneira magistral a essência da liderança que não necessariamente tem a ver com a palavra “culpa”, mas com responsabilidade. Claramente na situação descrita acima, a princesa Atta realmente não tinha “culpa” direta do que aconteceu, pois o acidente foi causado pelo Flik sozinho, mas sendo a líder das formigas, qualquer ato praticado por um de seus “subordinados” está sob a sua responsabilidade e portanto a resposta dela ao gafanhoto não era aceitável.
No mundo real é relativamente comum observar esse tipo de comportamento em “líderes” que quando as coisas estão indo bem na empresa assumem 100% da responsabilidade pelos resultados, mas que quando o cenário é negativo começam a colocar a responsabilidade ou a “culpa” de tal cenário na baixa performance da equipe comercial, no diretor financeiro que não aprovou uma verba de marketing, no governo, na economia, etc.
O general da aeronáutica norte-americana, Curtis Lemay, disse certa vez que se ele fosse definir liderança em uma única palavra seria “responsabilidade”. Quando um líder assume total responsabilidade pelos resultados do grupo que lidera, sejam positivos ou negativos, ele automaticamente envia uma mensagem para os seus subordinados de que todos estão no mesmo barco e que aconteça o que acontecer eles podem confiar que aquele líder será o último a abandonar aquele barco. Independentemente do seu cargo, assumindo a responsabilidade de ajudar a resolver problemas em uma corporação mesmo em casos em que claramente você não teve participação direta ou indireta naquela situação é o primeiro passo para desenvolver uma verdadeira trajetória de liderança.
Escrito por: 
  • Renato Grinberg

Renato Grinberg é especialista em liderança, desenvolvimento profissional, gestão de empresas e autor do best-seller de carreira/negócios “A estratégia do olho de tigre”. É formado em música pela FAAM, tem pós-graduação em Marketing pela University of California Los Angeles (UCLA), MBA pela University of Southern California (USC) e cursou Melhores Práticas em Liderança na Harvard Business School. Trabalhou em grandes multinacionais como a Sony Pictures e Warner Bros. e também foi presidente da Trabalhando.com Brasil. Atualmente é CEO da Currículo Autêntico, professor de liderança no MBA da HSM Educação e colunista do site da Harvard Business Review Brasil.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

NUTRIÇÃO ANIMAL - Cardápio de aditivos químicos garante o equilíbrio das rações

A produção de ração animal no Brasil deu um salto gigantesco. Passou de 5 milhões de tonela­das, em 1980, para 65 milhões, este ano, o que confere ao país a 3ª posição no ranking mundial. Após essa explosiva multiplicação por 13 nos níveis de produção em 31 anos, a perspectiva é a de atingir o patamar de 86 milhões de toneladas em 2020 (mais 32%), segundo as estimativas de Ariovaldo Zani, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Esse crescimento todo é alavancado pela “demanda nutricional de frangos, poedeiras, suínos, bovinos de corte e vacas leiteiras, animais fornecedores de carnes, ovos e leite que atendem o consumo doméstico e as exportações”, como detalha Zani. Por outro lado, o Brasil demonstra uma “completa dependência do fornecimento externo dos aditivos elaborados por síntese química ou fermentação”. O Sindirações calcula que a indústria de produção animal importou 300 mil toneladas de aditivos nutricionais em 2011, gastando cerca de US$ 1,3 bilhão.

Embora seja, obviamente, um dos maiores consumidores de aditivos alimen­tares do planeta, “o Brasil não conta com parque industrial local e importa pratica­mente todas as vitaminas,, amino­ácidos, agentes promotores de crescimen­to etc”, alerta Zani. “A intensificação da produção animal alinhada aos modernos conceitos de desenvolvimento susten­tável delega importância crescente aos aditivos alimentares utilizados na cadeia produtiva, por tornar a produção mais eficiente e a proteína animal mais aces­sível à população”, reconhece.

Ele comenta que o consumo de aditi­vos tem acompanhado o crescimento da produção de rações; e vai além, buscando melhor desempenho zootécnico, menor descarga de resíduos no meio ambiente e mitigação da pegada de carbono. Por isso, ano após ano, a importação desses moduladores do desempenho pecuário supera o crescimento proporcional atre­lado à produção de rações e suplementos (efeito quantitativo), por causa dos benefícios adicionais atribuídos aos ganhos de produtividade e à preservação do meio ambiente (qualitativo).

De acordo com os dados do Sindirações, as importações de vitami­nas, , agentes melhoradores de desempenho e outros aditivos triplica­ram nos últimos dez anos. “É importante salientar que, apesar de fatores externos favoráveis e do fortalecimento da pro­dução de carnes, a importação crescente dos  mantém um gargalo estratégico perma­nente”, adverte.

A indústria de rações teme essa vulnerabilidade nacional e as consequ­ências dessa persistente dependência no desenvolvimento da cadeia produ­tiva brasileira. “A cada dia que passa, a competitividade brasileira fica mais vulnerável à capacidade de suprimento por parte dos fornecedores internacio­nais, notadamente originários de países da União Europeia, China, Estados Unidos, Índia, Uruguai e Coreia do Sul, já que esses mesmos países competem entre si em diferentes escalas no merca­do fornecedor de produtos derivados de origem animal. Ou seja, são concorren­tes do Brasil na oferta de carne bovina, suína e de aves, ovos, leite e derivados etc.”, observa Zani.

Ele salienta que praticamente to­dos os aditivos alimentares utilizados são importados, dos quais podem ser destacadas as vitaminas (A, D3, C, E, B1, B2, B6, B12, K3, pantotenato de cálcio, ácido fólico, niacina, biotina, cloreto de colina), os aminoácidos DL-metionina, treonina e triptofano (exceção à L-lisina, que tem produção nacional) e os agentes melhoradores de desempenho – enzimas, pré-bióti­cos, pró-bióticos, antimicrobianos e anticoccidianos.
Um outro elemento, mais palpável ainda, vem afetando a marcha dos negócios. As recentes greves do fun­cionalismo público federal e operações padrão têm comprometido o fluxo de mercadorias. Zani declara: “A interrup­ção na concessão de anuência prévia, a paralisação do tráfego aeroportuário, a inércia no desembaraço aduaneiro, e o atraso na conferência física das cargas e na liberação dos insumos essenciais à produção provocam perda de empregos e colocam em dúvida a imagem do Brasil, considerado um dos grandes for­necedores de alimentos do século XXI.”

Zani acrescenta que a dinâmica logística empregada na importação de aditivos alimentares tem exigido cada vez mais agilidade no fechamento de contratos internacionais e rápida autorização de embarques, em razão da escassez frequente e da profunda competição global. Ele enfatiza que esse ambiente estressado aumenta o risco de internalização de mercadorias não conformes “por conta da falta de tempo suficiente para a realização de análises laboratoriais e a constatação prévia de avarias”.
O executivo do Sindirações afirma também que, com a incorporação de novas tecnologias e a utilização de produtos alternativos como sorgo, milheto, trigo, triguilho, polpa cítrica e da cana, o setor passou a adicionar mais aditivos alimentares às dietas animais em con­sonância com o melhoramento genético apurado nas raças e à crescente preocu­pação global com o meio ambiente.
Zani acredita que o Brasil, hoje o maior produtor de alimentação animal da América Latina e Caribe, pode se tor­nar uma grande plataforma de expedição de rações, suplementos, pré-misturas e aditivos alimentares para as nações da região, que atualmente produzem cerca de 130 milhões de toneladas.

sábado, 22 de setembro de 2012

O que o Empreendedorismo tem a ver com liderança?


Quando se fala em empreendedorismo, costuma passar pela mente das pessoas o nome de grandes líderes. Na verdade, empreender nada tem haver com liderança. Às vezes, bons empreendedores ficam pelo caminho porque sua liderança é fraca ou inexistente. É claro que muitos empreendedores acabaram também se revelando grandes líderes.

Trabalhei para excelentes pessoas com forte espírito de empreendedorismo. Pessoas dotadas de alta capacidade em transformar ideias em dinheiro. Algumas dessas pessoas passaram por severos problemas econômicos por total ausência de liderança. "Boas ideias, bons produtos, sem um líder, pode se transformar em nada."Sempre gosto de citar o exemplo dos irmãos Mc Donald's. Eles possuíam o espírito empreendedor. Após falirem duas empresas e quase sem dinheiro, conseguiram abrir a primeira loja Mc Donald's. O negócio trouxe bom retorno e mais duas lojas foram abertas. Eles concluíram que conseguiriam espalhar sua ideia por toda América. Nunca chegaram concluir seus sonhos. Foi Ray Croc que transformou o sonho dos irmãos Mc Donald's em realidade. Foi graças à capacidade de liderar de Ray, que o negócio de fazer hambuergers nunca mais seria a mesmo.
É muito comum que os próprios fundadores limitem ou retardem o sucesso de seu negócio. Isso acontece quando eles acreditam que são os "Os Senhores dos Anéis"; que têm a força e poder necessários para o que bem entender. Resumindo, acreditam que tem a obrigação de dar pitacos em tudo. Às vezes, fazem até questão de decidir onde deve ficar o vaso de plantas da recepção.
Em Portugal, trabalhei para um francês fantástico quanto a empreender. Tinha uma habilidade fora do comum para convencer pessoas a acreditarem em suas ideias. No entanto, seu lema era: "nunca confiar nas pessoas, delegar jamais e funcionário é custo fixo". Não demorou muito para sua empresa se transformasse num cadáver ambulante, apenas à espera da primeira "pazada de cal". Ele nunca quis reconhecer que precisava contratar um profissional para liderar suas ideias e sua empresa. A falta de habilidade para liderar enterrou um excelente negócio.
Outro exemplo interessante é o da GE. Não foi a genialidade de Thomas Edison que transformou a GE numa das empresas mais desejas dos Estados Unidos. Foi a capacidade da empresa em identificar e treinar potenciais líderes e colocá-los em cargos chaves. 
No entanto, o exemplo mais marcante que comprova que o empreendedorismo nada tem haver com liderança é o exemplo de Lee Iacocca. Enquanto presidente da Ford, graças à sua capacidade agregadora, conseguiu tirar a Ford do buraco e isso por várias vezes. Se o Mustang ainda é um carro de sucesso, isso se deve à sua forma de liderar. Os funcionários o amavam e o seguiam sem questionar. Posteriormente, quando foi convidado a salvar milhares de emprego e tirar a Crysler da falência, foi sua capacidade liderar e convencer, que fizeram a diferença. Lee Iacocca se transformou num dos melhores líderes na área automotiva de todos os tempos. 
Por isso, caro leitor, se pensa em empreender, parabéns. Acredito que vivemos num dos melhores momentos para isso. No entanto, não esqueça que ninguém é bom em tudo. "Uma liderança forte, pode tornar um negócio medíocre em um negócio promissor. A ausência de liderança, pode transformar um bom negócio em um negócio medíocre".
Um forte abraço a todos,

Fernando Fernandes


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Qualidade das gorduras e sub produtos protéicos de origem animal


Gorduras e óleos animais são em geral considerados os triglicerídeos de composição variável de ácidos graxos, sendo sólidos ou líquidos à temperatura ambiente dependendo do seu grau de saturação. 
Os tecidos animais contendo gorduras são transformados pelo processamento industrial (graxaria) que envolve as variáveis tempo, pressão e temperatura. Há vários sistemas de processamento, mas o mais utilizado atualmente é a seco, em que os tecidos animais contendo gordura são aquecidos em digestores. 
Por enquanto , as gorduras  são caracterizadas pela espécie da qual provém, chamando-se de óleos de frango ou de peixe, sebo bovino e banha suína, os quais são obtidos em frigoríficos e (ou) abatedouros. 
As gorduras podem ser armazenadas em tanques de aço inox ou ferro, mas o contato com bronze ou cobre deve ser evitado, pois acelera a oxidação das gorduras. Calor, umidade e presença de insolúveis também aceleram a oxidação. A oxidação e conseqüente rancidez podem ser diminuídas pela presença de antioxidantes colocados no processamento. A presença de ar nos tanques de armazenagem deve ser evitada ao máximo (vácuo, encanamentos sem entrada de ar/borbulhamento, gás inerte na superfície dos tanques).
A qualidade intrínseca das gorduras é dada pela sua composição de ácidos graxos, bem como pelo grau de saturação os quais estão diretamente relacionados com a digestibilidade da energia contida na fonte de gordura. O valor de referência de 9400 kcal de energia bruta/kg de gordura é empregado para óleos e gorduras puros. Entretanto, a qualidade da gordura pode sofrer a ação de vários fatores que reduzem seu valor energético. Do ponto de vista de nutrição animal, as gorduras e óleos de origem animal são fontes ricas em energia, baratas comparadas com as gorduras de origem vegetal, mas que devido a ação de fatores, muitas vezes não controlados, tem pouca qualidade organoléptica no momento da fabricação de rações. 
1.1 Óleo de frango
Resulta do processamento com aquecimento controlado, das partes não comestíveis de aves abatidas, seguido de prensagem, decantação ou filtragem da gordura. Não deve conter outras fontes de gorduras que não a do abate de aves, devendo ser produzida sob BPF. Se antioxidantes forem usados, os mesmos devem ser declarados, bem como suas quantidades nos recipientes de armazenagem e na documentação.
1.2 Óleo de Peixe
É o produto não em decomposição, obtido pelo processamento de tecidos gordurosos préselecionados de pescados. Não deve conter outras fontes de gorduras que não a de peixes, devendo ser produzida sob BPF. Se antioxidantes forem usados, os mesmos devem ser declarados, bem como suas quantidades nos recipientes de armazenagem e na documentação.
1.3 Sebo bovino
É o produto obtido a partir de resíduos de tecidos de bovinos, processados em digestores de batelada ou contínuos, munidos de agitadores para evaporar a umidade via aquecimento sob pressão de vapor; extração da gordura por prensas, centrífugas ou pelo método de extração por solventes orgânicos.
Não deve conter outras fontes de gorduras que não a de bovinos, devendo ser produzido sob BPF. Se antioxidantes forem usados, os mesmos devem ser declarados, bem como suas quantidades nos recipientes de armazenagem e na documentação.
1.4 Banha e gordura suína
Banha é o produto obtido a partir de resíduos do tecido adiposo do abdômen, órgãos e de partes comestíveis de suínos. Esses tecidos são processados em digestores de batelada ou contínuos, munidos de agitadores para evaporar a umidade via aquecimento sob pressão de vapor; extração da gordura por prensas, centrífugas ou pelo método de extração por solventes orgânicos. Não deve conter outras fontes de gorduras que não a de suínos, devendo ser produzido sob BPF. Se antioxidantes forem usados, os mesmos devem ser declarados, bem como suas quantidades nos recipientes de armazenagem e na documentação. 
2. CONTROLE DE QUALIDADE DE GORDURAS
Uma vez que não existe uma classificação de gorduras por sua qualidade organoléptica, torna-se extremamente importante haver um programa de desenvolvimento de fornecedores de gorduras e óleos para uma dada fábrica de rações. Em adição, há muito comércio interestadual de gorduras destinadas a outras finalidades que não a alimentação animal e que em dado momento por questões econômicas podem vir a ser utilizadas na produção de rações. Testes químicos rápidos, sem precisão, são feitos por motoristas de caminhão independentes ou associados a corretores de ingredientes para rações, os quais compram e distribuem gorduras e óleos em vários pontos do país. Portanto, avaliar a qualidade geral das gorduras e óleos amimais é uma tarefa a ser regulamentada oficialmente. A seguir, brevemente abordamos algumas características controláveis laboratorialmente e que no conjunto ou em parte podem expressar a qualidade de uma fonte de gordura ou óleo animal. 
2.1 Ácidos graxos livres
 As gorduras em geral são compostas de três ácidos graxos (AG) ligados a uma molécula de glicerol por pontes de ésteres (triglicerídeos). Os AGL são produzidos quando esses triglicerídeos são hidrolisados..
 Portanto, a presença de AGL indica que a gordura foi exposta a água, ácidos e (ou) enzimas. 
As gorduras devem ser produzidas com a presença do mínimo de H2O de modo que na estocagem, não ocorra hidrólise. O aumento do conteúdo de AGL foi visto que diminui a digestibilidade e assim o conteúdo de energia das gorduras. Na média, cada aumento de 10 % de unidades de AGL, resulta na redução de 1,5% de ED em leitões desmamados e em crescimento. 
A reação entre um álcali e AG é a base para duas analises importantes e que são:
a) índice de acidez, definido como os mg de uma base (KOH ou NaOH) requeridos para neutralizar os AGL em 1 gramade amostra (em geral farinhas animais) e
 b) porcentagem de AGL, em geral definido como a porcentagem de AGL presentes nas gorduras e óleos; 
2.2 Coloração
A coloração padrão do comitê de analise de gorduras do AOCS chama-se FAC, a qual é obtida com uma amostra de gordura filtrada e comparada com a coloração de uma série de slides montados de forma circular. Os valores impares oscilam numa escala de 1 a 45. Outra escala de coloração é o R & B é, que significa gordura refinada e branqueada. Essa analise representa a coloração Lovibond da amostra após o tratamento com álcali e o branqueamento. 
2.3 Umidade, impurezas e insaponificáveis
A umidade, impurezas e insaponificáveis (UII) são variáveis juntadas e calculadas para expressar a pureza da gordura. A umidade da amostra de gordura é calculada por pesagem, fervura e a perda de peso será a umidade. A recomendação é de que seja menor do que 1% o conteúdo de umidade. A umidade é responsável pela diminuição da energia quer por diluição ou por aumento da concentração de AGL. Em baixos níveis funciona como antioxidante. A amostragem é difícil e precisa ser agitada mecanicamente antes de amostrar, pois se deposita na parte inferior do container. 
Impurezas são partículas de carne e ossos que ficam aglutinadas após a filtração, ou contaminantes externos, ou resíduos dos containeres. Determina-se pela filtragem em papel filtro fino e pesagem. 
Insaponificáveis são, por exemplo, os pigmentos e esteróis presentes no conteúdo digestivo, com origem em plantas e cereais da alimentação dos animais e que passaram pelo processamento de fabricação de farinhas e gorduras. O teor de insaponificáveis deve ser menor do que 1% e o somatório dos três itens não deve exceder a 3%. 
2.4 Polietileno
É considerado material estranho na gordura e tem origem em plásticos de embalagens que se derretem nas temperaturas altas. A única maneira de remover é com filtragem da gordura em baixa temperatura. O máximo que os usuários de sebo admitem é 200 ppm. Causa entupimento de canos e pode aparecer nos produtos manufaturados com a gordura contendo polietileno. 
2.5 Titulo
É a medida do ponto de solidificação da gordura após que a mesma tenha sido saponificada e, os sabões convertidos em AGL . É determinada pelo fundimento dos AG e então fazendo-se o resfriamento lento, medindo a temperatura de endurecimento em oC. 
 Nos EUA as gorduras não comestíveis com titulo abaixo de 40 oC são consideradas graxas e as acima são os sebos.
 Os títulos são relacionados com composição dos ácidos graxos saturados e insaturados. Gordura liquida em temperatura ambiente tem baixo titulo. O titulo não é mudado no processamento, mas pode ser aumentado  pela hidrogenação das gorduras, processo que adiciona o hidrogênio nas pontes insaturadas. 
2.6 Índice de iodo
Índice de iodo (II) é a medida da insaturação química de uma gordura e os resultados são dados como o número de gramas de iodo absorvido por 100 g de amostra de gordura. Pode ser usado para  estimar a relação de saturação e insaturação (S: I). Gorduras insaturadas têm II maior do que as gorduras saturadas e assim, gorduras moles tem II maior. Estudos com suínos e aves demonstram que o aumento do II, ou seja, aumento da relação S : I produz aumento da EM (kcal/kg) até a relação de 3 (I : S). Essa é uma analise mais rápida e repetível do que o titulo de gorduras e está sendo preferida no comercio de gorduras
2.7 Velocidade de filtração
Tem maior aplicação na indústria de alimentação humana ; 
2.8 Resíduo de Pesticidas
Níveis de tolerância de pesticidas e PCBs devem ser respeitados e a maneira prática de evita-los é a aplicação de BPF e HACCP na produção. Sua presença é detectada por cromatografia gasosa. 
2.9 Índice de saponificação
O índice de saponificação (IS) é estimado a partir do peso molecular médio dos AG constituintes e definido como o número de mg de KOH requerido para saponificar um grama de gordura. Quanto maior o IS, menor é a média do comprimento da cadeia dos triglicerídeos 
2.10 Número de Boehmer
Usado para definir se a banha está misturada com outras gorduras. O numero mínimo de 73 deve ser obtido para indicar que não foi misturada. Se menor que 73 indica contaminação. 
2.11  Metais pesados
Entre os metais pesados, o chumbo tem limite de 7 ppm por ser considerado tóxico. Outros limites devem ser observados. O método mais comum de analise é o de absorção atômica. 
2.12 Índice de peróxidos
O Índice de peróxido (IP) é a maneira comum de detectar rancidez da gordura. A oxidação é um processo autocatalítico e desenvolve-se em aceleração crescente, uma vez iniciada. Fatores como temperatura, enzimas, luz e íons metálicos podem influenciar a formação de radicais livres.
O radical livreem contato com oxigênio molecular forma um peróxido que, em reação com outra molécula oxidável, induz a formação de hidroperóxido e outro radical livre. Os hidroperóxidos dão origem a dois radicais livres,capazes de atacar outras moléculas e formar mais radicais livres, dando assim uma progressãogeométrica. As moléculas formadas, contendo o radical livre, ao se romperem formam produtos de peso molecular mais baixo (aldeídos, cetonas, álcoois e ésteres), os quais são voláteis e responsáveis pelos odores da rancificação ;
Os peróxidos são o fator antinutricional das gorduras. 
Tradicionalmente os valores de IP estão entre 0 e 20mEq/kg e nesse ultimo valor é possível detectar o odor de rancidez. 
 A adição de 4% de óleo de frango oxidado na ração de frangos causa a redução do tempo de prateleira da carne.


por Fernando Raizer

Fernando Raizer é sócio-diretor da Raizer Consultoria e Treinamentos Ltda., empresa estabelecida há 10 anos em Campinas (SP) 

E-mail: 
jfraizer@gmail.com
REFERÊNCIAS podem ser obtidas por e-mail.
Fonte:   Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial